top of page

Split payment: obrigatoriedade deve ficar para 2028. O que muda para as empresas?

Thiago Pugliese
há 1 dia
6 min de leitura
Cliente indo pagar sua conta sem saber que o split payment já está ativo
Reforma Tributária: Entenda qual o impacto do Split Payment no seu negócio

A Reforma Tributária do Consumo segue avançando, mas uma de suas mudanças mais relevantes vai demorar um pouco mais para se tornar obrigatória: o split payment.

A Receita Federal trabalha hoje com 2028 como referência para a obrigatoriedade geral do mecanismo, que vai separar automaticamente os valores da CBS e do IBS no momento do pagamento de uma operação.

Isso não quer dizer que o split payment foi suspenso até lá. A previsão é que a plataforma fique disponível a partir de 2027, com uso gradual e facultativo, começando por algumas operações entre empresas.

Para empresários e gestores financeiros, a distinção importa. O prazo maior reduz a pressão por uma adaptação imediata, mas não elimina a necessidade de entender o mecanismo. O split payment pode mudar a relação entre faturamento, recebimento, pagamento de tributos, créditos tributários e fluxo de caixa.

Neste artigo, explicamos o que é o split payment, como fica o cronograma e o que sua empresa pode fazer desde já.


O que é split payment?

Split payment significa “pagamento dividido”. É um mecanismo de recolhimento em que o tributo é separado do valor da operação no momento em que o pagamento é liquidado.


Ele está ligado aos dois tributos criados pela Reforma Tributária do Consumo:

•         CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal.

•         IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): administrado de forma compartilhada por estados, Distrito Federal e municípios.

 

Hoje, a empresa recebe o valor integral da venda e recolhe os tributos depois, nos prazos previstos. Com o split payment, parte do pagamento vai para o fornecedor e parte segue diretamente para o recolhimento tributário.

Em outras palavras, o imposto deixa de passar pelo caixa da empresa. A arrecadação passa a acontecer praticamente junto com a operação financeira.


Um exemplo para entender

Imagine uma empresa que vende um serviço de R$ 10.000. Para simplificar, suponha que a CBS e o IBS dessa operação somem R$ 2.000. O valor é apenas ilustrativo.


Modelo atual

Com split payment

Valor pago pelo cliente

R$ 10.000

R$ 10.000

Valor que entra na conta da empresa

R$ 10.000

R$ 8.000

Recolhimento do tributo

Depois, pela própria empresa

No momento do pagamento, de forma automática

 Na prática, o cálculo será mais complexo. Ele vai depender dos créditos tributários, do tipo de operação, da modalidade de split payment aplicada e da regulamentação. A legislação já prevê procedimentos diferentes, como o procedimento padrão e o procedimento simplificado.


O split payment foi adiado para 2028?

Não exatamente. É preciso separar início da operação e obrigatoriedade geral.

Segundo informações confirmadas pela Receita Federal no fim de agosto de 2026, a plataforma deve estar pronta no início de 2027. A partir daí, o uso começa aos poucos e de forma facultativa, em algumas operações entre empresas.

Nessa fase, o recolhimento tradicional e o split payment vão andar em paralelo. Aos poucos, o mecanismo ganhará abrangência à medida que bancos e instituições de pagamento forem integrados à plataforma.

Atenção: a data de 2028 é uma previsão. Até agora, ela não foi formalizada em norma e depende da evolução da infraestrutura necessária.


Por que a obrigatoriedade ficou para depois?

O desafio principal é tecnológico e não basta a Receita Federal ter sua plataforma pronta.

Bancos, instituições de pagamento, adquirentes (as empresas que processam pagamentos com cartão) e demais participantes do sistema financeiro também precisam adaptar seus sistemas. O mecanismo precisa funcionar em diferentes meios de pagamento e cruzar informações fiscais e financeiras de cada transação.

Segundo informações divulgadas após o posicionamento da Receita, mais de 200 instituições de pagamento terão de se adaptar. Por isso, a implantação será gradual.


A infraestrutura pública, porém, continua avançando. Em 28 de agosto de 2026, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o Ato Técnico Conjunto nº 4, que aprovou, entre outros documentos, o Manual de Habilitação de Participantes e o Manual de Redes da plataforma.

Ou seja, o projeto não foi abandonado. Trata-se de uma implantação progressiva, que envolve a Receita Federal, empresas e sistema financeiro.


Como o split payment afeta o fluxo de caixa

Este deve ser um dos pontos que mais vão exigir atenção dos gestores financeiros.

empresário preocupado olha para seu computador e faz simulações do seu fluxo de caixa com o split payment

Hoje existe um intervalo entre o recebimento de uma venda e o recolhimento do tributo correspondente. Durante esse período, o dinheiro fica no caixa da empresa. Ele não está livre para ser gasto, porque representa uma obrigação futura. Mesmo assim, compõe temporariamente a disponibilidade financeira.

Com o split payment, esse intervalo tende a desaparecer. Se a parcela do tributo for separada no pagamento, a empresa recebe menos dinheiro na conta no momento da liquidação.


Esse efeito merece atenção especial em empresas com:

  • margens reduzidas;

  • ciclos financeiros longos;

  • alta necessidade de capital de giro.


A Thomson Reuters também aponta que a adoção do mecanismo vai exigir revisão das projeções de fluxo de caixa, justamente porque a retenção do tributo na transação muda o valor que fica disponível para a empresa.

Por isso, além de perguntar “quanto minha empresa vai pagar de imposto?”, vale fazer outra pergunta: “em que momento esse dinheiro deixa de estar no meu caixa?”

As duas respostas influenciam o planejamento financeiro.


Split payment e créditos tributários

A CBS e o IBS seguem o modelo de não cumulatividade. Na prática, a empresa pode abater do tributo devido os valores já pagos nas etapas anteriores da cadeia, na forma de créditos.

O split payment foi pensado para conversar com essa lógica, integrando pagamento, recolhimento e reconhecimento de créditos. Isso pode reduzir distorções do sistema atual.

Por outro lado, aumenta a importância da qualidade das informações. Um cadastro incorreto, uma operação mal classificada ou uma falha de integração entre sistemas deixam de ser só problemas operacionais e podem afetar a apuração, os créditos e o próprio fluxo financeiro da empresa.


2027 continua sendo um ano importante?

A previsão de 2028 vale para a obrigatoriedade geral do split payment, não para toda a Reforma Tributária.

A transição segue em andamento e pelo cronograma da legislação, 2027 é o ano em que a CBS passa a ser cobrada efetivamente e o PIS e a Cofins deixam de existir. Além disso, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS continuam publicando atos, manuais técnicos e cronogramas sobre documentos fiscais, sistemas e obrigações ligadas à CBS e ao IBS.

Seria um erro interpretar a notícia como “a Reforma Tributária só importa em 2028”. O que mudou foi a expectativa para um dos mecanismos de recolhimento, pois a adaptação é bem mais ampla.


O que sua empresa pode fazer agora

Não é preciso antecipar investimentos desnecessários. Mas também não é recomendável deixar o assunto de lado. O período de transição é uma boa oportunidade para organizar pontos que já fazem parte de uma boa gestão fiscal e financeira.


Revise os cadastros fiscais

Produtos, serviços, clientes, fornecedores e regras tributárias precisam estar corretos nos sistemas. Quanto maior a integração entre dados fiscais e financeiros, mais esses cadastros pesam.


Converse com o fornecedor do seu sistema de gestão

Se sua empresa usa ERP, emissor de notas ou plataforma financeira, pergunte como o fornecedor está se preparando para a CBS, o IBS e o split payment. Não é preciso implementar nada agora, mas é importante saber se existe um plano de adaptação.

Refaça as projeções de fluxo de caixa

Se a empresa usa os valores recebidos antes do vencimento dos tributos como folga de caixa, simule o impacto da separação automática. Assim, é possível identificar com antecedência uma eventual necessidade de capital de giro.


Integre financeiro, fiscal e contabilidade

Uma única venda gera efeitos comerciais, financeiros, fiscais e contábeis ao mesmo tempo. Quanto mais integradas estiverem essas áreas, menor o risco de inconsistências.


Acompanhe a regulamentação

O modelo ainda está em construção e novas regras, manuais e cronogramas podem ser publicados. Decisões importantes devem se basear nas normas em vigor, não apenas em projeções.


Perguntas frequentes sobre split payment

O split payment já é obrigatório?

Não. A plataforma deve ficar disponível a partir de 2027, com uso facultativo e gradual. A obrigatoriedade geral está prevista para 2028, mas ainda não foi definida em norma.


Minha empresa vai pagar mais imposto com o split payment?

Não necessariamente. O split payment muda o momento e a forma do recolhimento, não a alíquota. O principal efeito esperado é no fluxo de caixa.


Quais tributos serão recolhidos pelo split payment?

A CBS, que é federal, e o IBS, compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios.


O que devo fazer agora?

Organizar cadastros, conversar com o fornecedor do seu sistema, simular o impacto no fluxo de caixa e acompanhar a regulamentação.


Em resumo

O split payment continua fazendo parte da Reforma Tributária do Consumo. O mecanismo vai separar a CBS e o IBS no momento do pagamento e mudar a forma como parte dos tributos chega ao Fisco.

A Receita Federal prevê a disponibilização gradual do sistema a partir de 2027 e a obrigatoriedade geral em 2028. Essa última data ainda depende de regulamentação e da adaptação do sistema financeiro.

2028 não precisa ser tratado como um problema imediato. Mas o novo cronograma também não é uma pausa na Reforma Tributária. O melhor caminho agora é acompanhar as regras, manter sistemas e cadastros organizados e começar a entender os impactos no fluxo de caixa, nos créditos e nos processos financeiros.


A Relíquia Assessoria Contábil acompanha a regulamentação da Reforma Tributária para transformar essas mudanças em orientações práticas para empresários e gestores. Este conteúdo será atualizado conforme novas regras sobre o split payment forem publicadas.

Última atualização: 25/09/2026

Comentários


© 1982 by Relíquia Assessoria Contábil

  • Instagram
  • Facebook ícone social
bottom of page